sexta-feira, 17 de maio de 2013


Gente aqui está uma ajuda para quem está estudando África.


A África e a escravidão

A escravidão foi um importante fenômeno da história, estando presente em muito lugares, desde a Antiguidade a épocas muito recentes. A África esteve intimamente ligada a esta história, tanto como fonte principal de escravos para as antigas civilizações ( o mundo islâmico, a Índia e as Américas), quanto como uma das principais regiões onde a escravidão era “comum”.
Na verdade, na África a escravidão durou até o século XX (muito mais que nas Américas). Tal antiguidade e persistência requer uma explicação, tanto para compreender o desenvolvimento histórico da escravidão na África, quanto para avaliar a relativa importância do tŕafico de escravos para este desenvolvimento.
Segundo Lovejoy, a escravidao se expandiu na África em pelo menos três estágios: 1350 a 1600, 1600 a 1800 e 1800 a 1900, durante os quais o escravismo se tornou fundamental para a economia política africana. Em primeiro lugar, a escravidão ocupou uma área geográfica cada vez maior, difundindo-se para fora daquelas regiões diretamente envolvidas no comércio de escravos. Em segundo lugar, o papel dos escravos na economia e na sociedade tornou-se crescentemente importante, do que resultou na tranformação da ordem social, econômica e política.
O fator islâmico

Nos séculos VIII, IX e X, o mundo islâmico tinha se tornado o herdeiro dessa longa tradição de escravidão, continuando o padrão de incorporar escravos negros da África às sociedades ao norte do Saara e ao longo das costas do oceano Índico. Os estados muçulmanos desse período interpretavam a antiga tradição escravista de acordo com sua religião.
Inicialmente, os escravos eram prisioneiros capturados nas “guerras santas” que expandiram o islã da Arábia pelo norte da África. A escravização era justificada com base na religião, e aquele que não era muçulmano estava legalmente passíveis de escravização. Na tradição islâmica, a escravidão era vista como um meio de converter os não-muçulmanos. Assim uma das tarefas do senhor era a instrução religiosa, e na teoria os muçulmanos não podiam ser escravizados, embora na prática isso fosse muitas vezes violado. Ao contrário da escravidão europeia nas Américas, a escravidão muçulmana não leva muito em consideração a cor da pele.
Os cativos não eram necessariamente negros, embora os negros constituíssem uma parte significativa da população escrava (os escravos também vinham da Europa Ocidental e das estepes do sul da Rússia, muitas vezes prisioneiros de guerra).
A escravidão islâmica não era uma instituição autoperpetuadora, e aqueles nascidos no cativeiro formavam uma parcela relativamente pequena da população escrava. A maioria dos filhos de escravos era assimilada pela sociedade muçulmana.

LOVEJOY, Paul E. A escravidão na África: uma história de sua transformações. RJ: Civilização Brasileira, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário